Desempregados fazem fila para feirão de vagas desde a madrugada

Desempregados fazem fila para feirão de vagas desde a madrugada

Várias pessoas acordaram bem cedo para guardar um lugar na fila da feira de empregos promovida pela Comunidade Católica Gerando Vidas, no Sinttel-RJ, nesta terça-feira (09)


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Publicado em 09/01/2018 às 21:23:23

Paulo Ricardo Ferreira, de 37 anos, passou a noite guardando lugar na fila do feirão de emprego e sofreu uma abordagem policial. / Letycia Cardoso / Extra
Paulo Ricardo Ferreira, de 37 anos, passou a noite guardando lugar na fila do feirão de emprego e sofreu uma abordagem policial. / Letycia Cardoso / Extra

Várias pessoas acordaram bem cedo para guardar um lugar na fila da feira de empregos promovida pela Comunidade Católica Gerando Vidas, no Sinttel-RJ, nesta terça-feira (09). Mas teve também quem nem dormiu, como Paulo Ricardo Ferreira, de 37 anos. Desempregado há oito meses e em busca de uma vaga na área de serviços gerais, ele chegou na Tijuca às 11 horas da noite anterior, pois já enfrentou filas imensas em feirões de emprego:

– O último (feirão) que eu fui, em Realengo, tinha que pegar mototáxi para chegar no fim da fila. – conta.

Paulo é o retrato do ciclo vicioso que acontece no Brasil: não consegue emprego por causa da baixa escolaridade e não consegue se qualificar porque não tem emprego. Antes de ser demitido, ele cursava o segundo período da faculdade de informática, mas teve que trancar a matrícula pois não tinha como arcar com a mensalidade.

A segunda a chegar foi Tatiana Barbosa, de 28 anos. Mãe de dois filhos, com apenas o ensino fundamental completo, a jovem relata dificuldades para encontrar um emprego e segue em busca de um há dois anos.

Outra barreira para a empregabilidade é a experiência. Leonardo Barros, de 26 anos, foi militar nos últimos seis. No quartel, trabalhou em inúmeras funções, como telemarketing e almoxarifado. Entretanto, em sua carteira de trabalho não há nenhuma descrição.

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-Hoje até os empregos que pagam salário mínimo pedem experiência. Tenho seis anos como militar, sei fazer várias coisas, mas não me contratam porque não está na minha carteira. – desabafa, Leonardo.

Bruna Barros, esposa de Leonardo, sempre trabalhou como vendedora e também reclama da dificuldade de mudar de área. Segundo ela, as empresas pedem experiência no cargo de pelo menos um ano.

A busca pela carteira assinada significa procura por segurança não só financeira, como física. Alexandre Guimarães, de 37 anos, desempregado há dois, resolveu tentar trabalhar como motorista autônomo através de um aplicativo, mas desistiu por causa da violência. Também desejando um emprego formal, Jorge Silva, de 44 anos, acredita que a maior dificuldade é saber onde há vagas disponíveis:

-Eu sempre atuei como técnico de telecomunicações. O difícil é saber quando as empresas da minha área têm vagas abertas. De nada adianta eu deixar o currículo lá e ser descartado.- reflete.

Charles Assis, de 23 anos, foi assistido há um ano, conseguiu um emprego de telemarketing e, grato, resolveu ser voluntário dos feirões. Recentemente formado em história, o professor abriu um pré-vestibular comunitário para ajudar estudantes a terem mais chances de emprego.

-Com maior qualificação, costuma ser mais fácil arrumar emprego. Entretanto, se a vaga é para um nível menor, a empresa não contrata para não ter que pagar um salário maior.- problematiza, Charles.

De acordo com o organizador da feira, Paulo Vasconcelos, em 2014 eram ofertadas 4000 vagas por semana, contra 1200 em 2017. Os grandes contratantes, segundo ele, eram as empresas terceirizadas do estado e, devido à crise, elas não contratam mais. Por causa da grande oferta de mão de obra, as exigências ficaram mais rígidas, como morar perto do trabalho. É o que sente na pele Fabíola José de Paula. Moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense, conta que chegou a quase ser contratada para trabalhar em uma copiadadora no Largo do Machado, mas a contratante desistiu por causa do número de passagens que ela iria precisar.

-Eles não querem pagar mais que uma passagem. Fica complicado para gente, porque lá na Baixada não tem emprego, a maioria das vagas estão aqui, mas eu não tenho como me mudar para cá. – conta, Fabíola.

A Comunidade Católica Gerando Vidas organiza feiras de emprego semanais, geralmente em paróquias, em todo o Rio de Janeiro, nas quais promove uma avaliação inicial do candidato. Se ele preencher os pré-requesitos exigidos pela empresa, já é diretamente encaminhado para a avaliação final com o RH. O feirão desta terça-feira aconteceu no Maracanã e foram disponibilizadas 201 vagas.

Por Equipe iRJO

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